domingo, 25 de junho de 2017

PREFÁCIO

Foto de Eloah Westphalen Naschenwen.


A história só se escreve com palavras depois

que se desenvolve como realidade.”
Florestan Fernandes – sociólogo, ensaísta brasileiro

A lusofonia é a plataforma que tem conduzido os países de língua portuguesa a se aproximarem e ampliar seu cabedal de conhecimento e de partilha de um passado comum e passível de muitas transformações.
O longo processo histórico do Brasil carrega consigo muito desta identidade cultural.
Apresentar um livro como este, de um amigo escritor de além- mar, e fazer jus a obra que tem como assunto a colonização portuguesa pós Cabralina,  é quando muito, desafiador.
 A obra de Daniel Costa, jornalista, poeta e escritor português, “Brasil – O Sorriso de Deus”, constitui, no seu conjunto, um belo elogio ao povo brasileiro, pois visa recontar o trabalho pioneiro de seus ancestrais, sua caminhada de conquistas e avanços tendo como mote as principais cidades brasileiras. E isto se percebe através da composição da sua obra.
Segundo o autor, a ideia do livro começou a germinar na leitura dos estudos do historiador Teodósio Mello, sobre a colonização no Brasil na Paraíba, em especial, e é também, produto de uma longa pesquisa abrangendo livros e várias fontes, inclusive trabalhos e artigos de sua lavra, assim como visitas presenciais ao Brasil.
O título em si carrega no seu bojo o encantamento do olhar do autor, que no decorrer da sua escrita aviva nossa perplexidade ante a história do país e deixa evidente a admiração e o vínculo de seu respeito com a história da colonização  e da miscigenação do povo brasileiro.
Página a página, vai nos levando a um mergulho na história e a uma extraordinária viagem no tempo.  Do passado, faz o confronto do desconhecido, com a verdade do presente e a beleza de futuro promissor.
Traz no seu conteúdo muita informação histórica que nos ajudam a compreender a natureza do homem na sua humanidade e a elucidar e perpetuar para a memória, os sonhos e as aspirações dos desbravadores de uma terra inóspita, mas rica de recursos e belezas naturais.
Como brasileira e escritora, aplaudo o trabalho acurado do autor na descrição dos fatos históricos, assim como à literatura lusófona que aproxima e amplia o intercâmbio entre os povos de língua portuguesa.
O Sorriso de Deus, vem para disseminar conhecimento, porém, mais do que tudo unir Portugal e Brasil na voz do escritor e do tempo, numa história real em dois universos tão distantes.
Segundo o escritor François La Rochefoucauld (1613-1680), “A distância é como os ventos: apaga as velas e acende as grandes fogueiras.”
Esse é o legado de Daniel Costa.
Boa leitura!

Eloah Westphalen Naschenweng
Presidente do Grupo de Poetas Livres/ Florianópolis- Brasil
Membro do Núcleo Acadêmico de Letras e Artes de Lisboa




quarta-feira, 21 de junho de 2017

POSFÁCIO

Foto de Pescador de Pérolas.

POSFÁCIO

Recebi, com imensa alegria, a responsabilidade de dizer alguma coisa, dentro das minhas limitações culturais e conhecimentos de história sobre o livro bem escrito e até romântico em certos momentos, do amigo escritor e poeta Daniel Costa: Brasil - O Sorriso de Deus.
Há tempo que o Daniel Costa falava do desejo e vontade que era escrever sobre a história que liga Portugal ao Brasil. Em boa parte fui testemunha da história aqui contada, algumas vezes fui até partícipe da mesma.
O autor na sua modéstia pesquisou, indagou, anotou, recolheu informes e deixa nesse livro como fonte de esclarecimento sobre o passado histórico. Pois nos dá, sem delongas, a noção dos acontecimentos, no tempo e lugar. Contudo nos enche de orgulho e serve para nos orientar, quando precisarmos falar do nosso povo e da nossa Pátria.
Confio e desejo que o autor se tenha realizado pelo trabalho tão bem elaborado que acaba de nos oferecer.
Siga em frente que o livro ficou magnífico.

Severa Cabral (escritora)

sexta-feira, 16 de junho de 2017

PEDRA DO INGÁ

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PEDRA DO INGÁ

Pedra do Ingá é um monumento arqueológico, que também se identifica por “Itacoatiara”, constituído por rochas, com inscrições rupestres, localizado no estado brasileiro da Paraíba, junto da cidade do Ingá.
O termo vem da língua tupi: itá (pedra) e kuatiara (riscada ou pintada). Reza a tradição, quando os índios potiguaras, que habitavam a região, indagados pelos colonizadores, sobre o significado dos sinais inscritos na rocha, eles usam o termo.
A formação rochosa, no seu conjunto principal, cobre uma área de 250 m2. Relevo de 50 metros de comprimento por 3 de altura, e áreas adjacentes.
Há inúmeras inscrições, de significados ainda continuam a ser incógnita. No conjunto, diversas figuras sugerem representações de animais, frutas, figuras humanas e constelações como a de Órion.
O sítio fica 109 km da cidade de João Pessoa e a 38 km de Campina Grande, havendo no local um edifício de apoio aos visitantes e as instalações um museu de História Natural, com diversos fósseis e utensílios líticos (relativos a pedras), encontrados na região.
Na verdade, Teodósio d Mello, já conhecedor visual da PEDRA DO INGÁ, nas suas visitas ao sítio e na da leitura de alguns estudos, de vários especialistas a propósito, não pôde deixar de admirar o monumento megalítico.
Perguntava-se:
- Há cerca de seis mil anos, a datação de certo modo consensual das inscrições, já teria havido, alguma ideia ou tentativa de colonização do sítio?
Há que ter em conta, que já investigadores a atribuir as inscrições a Fenícios e sabe-se a sua veia colonizara, na Europa, particularmente no território que e viria a ser Portugal.
Até há uma corrente a defender que os sinais do Ingá terão sido obra de engenharia extraterrestre.
O que para Teodósio de Mello, não é crível uma vez, não haver nada no planeta TERRA, que permita a afirmação peremptória de ter havido visitas de extraterrestres, embora continue a ser considerado, possível haver vida, para além da TERRA.
Em suma, até hoje, ainda não foi possível afirmar, sem reticências quem foram os autores, ou autor e motivações das inscrições do ingá.
A motivação até pode ser circunstancial e nada mais.
Tudo isto, embora vários estudiosos internacionais que têm passado pelo Ingá. É preciso desmitificar o assunto e Teodósio de Mello, por experiencia própria no terreno, em várias formações, humildemente, atreve-se a fazê-lo.
Como se atreve a dizer que, a alma dum povo é a sua cultura o que, certo modo os descobridores não descuraram, introduzindo missionários nas suas missões de exploração e ocupação.
Intensa cultura, que ainda estará a faltar no espaço da C.P.L.P. – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. De anotar os entraves à circulação de obras literárias, muito devido a uma norma que a Revolução de Abril de 1974 aboliu, quanto aos custos de correio.
De facto a circulação postal, para o Brasil e do Brasil para Portugal era igual à interna. A denúncia terá partido de Portugal.
Acresce uma inusitada demora:
- Já houve casos em que livros, enviados via aérea, demoraram tanto, a chegar ao Nordeste brasileiro, como as caravelas de Pedro Álvares Cabral, em 1500. Como não aconteceu apenas uma vez, o assunto foi participado aos respectivos Serviços dos Ctt portugueses.
Á certa alegação, de que o problema teria a ver com o serviço de distribuição, no destino. Foi apontada a UPU – União Postal Universal, que por convenção, tem a faculdade de interferir e aclarar, problemas desse teor, como de outro.
Depois temos, O Acordo Ortográfico de Língua Portuguesa que visa criar uma ortografia unificada, por todos os países de língua oficial portuguesa, onde se incluí o Brasil.
Ciente da realidade brasileira, e de outras realidades, inclusive a portuguesa, o Acordo não é integralmente cumprido e, pelo que se sabe, é de prever que nunca seja. Isto na visão de Teodósio de Mello.
Duas realidades que conhece, de escritores de Angola e Brasil. Aqueles nos seus escritos usam bastantes palavras de dialectos locais, estes escudam-se até, no português arcaico, que os colonizadores transmitiram.
Em suma, a língua talvez se enriqueça pela diversidade!
Pensaram neste aspecto, os peritos da linguagem lusa?
Pensaram na origem, no latim e das muitas influências, na língua portuguesa?
Foi equacionada a variedade linguística, das diversas zonas do Brasil?
E dos países de África e da tentação de adopção de certas palavras, de uso local e ancestral?
Teodósio de Mello debruçou-se bastante sobre este aspecto, e não pode deixar de referir a variedade onomástica e dos seus modos diferentes de registo, que há no Brasil.
Fica esta pérola onomástica, do descendente de portugueses, da Paraíba, escrita pelo próprio, para que não haja equivoco:
- YAMAGUCHY…

Daniel Costa


sexta-feira, 26 de maio de 2017

FORTE DE SANTA CATARINA DO CABEDELO


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FORTE DE SANTA CATARINA DE CABEDELO

Primitivamente construída em taipa, a estrutura foi arrasada durante a governação de André de Albuquerque, por um ataque combinado, em 1591, de corsários franceses e indígenas.
Reconstruído a partir do ano seguinte, em alvenaria. Foi concluído em 1597 com a invocação de Santa Catarina de Alexandria, padroeira da capela do forte, e como homenagem a Dona Catarina de Portugal, Duquesa de Bragança.
Teodósio de Mello de já adoptara a cidade de João Pessoa, como sua, pela consabida urbanidade, pelo clima tropical-ameno, pelo seu verde, pelos seus quilómetros de costa e sobretudo, por ser a cidade da sua amada Samira, a sua romântica paixão.
Ainda por se situar no ponto das Américas, onde o sol nasce mais cedo, propício, portanto para os seus estudos sobre a descoberta do País e dos muitos navegadores, que por ali terão passado, deslumbrando-se.
Tal com os habitantes da cidade, capital da Paraíba já se achava bem integrado no ambiente, tanto mais que vivia à vista daquele mar que há séculos fascinara inúmeros navegadores.
Entre os frades que sempre acompanharam as expedições, alguns já aplicariam a sociologia, criada séculos depois, como ciência, por Augusto Comte, já citado.
Este viria a ser seguido por Émile Durkheim, que criou a disciplina académica da sociologia, muito poderia estudar as motivações da colonização do Brasil, ao longo de séculos, por portugueses.
É que teve de haver algo de místico motivador, devido a bastantes guerras e perigos eminentes a enfrentar, que só a sociologia, tal como a conhecemos hoje, pode explicar.
No mesmo ano, de 1597, uma esquadra francesa, de treze navios, com uma força de 350 homens, atacaram o forte por terra, do que resultou a morte do seu comandante, durante a resistência ao assalto.
O Capitão João de Matos Cardoso reassumiu então comando.
Em 1601, a guarnição era de um comandante Capitão, um alferes, um sargento, um tambor e vinte soldados armados com mosquetes; artilhado com três peças de bronze e nove de ferro.
Em 1611 as peças de bronze foram refundidas em Pernambuco e no ano seguinte, trezentos soldados com arcabuzes, faziam parte do seu efectivo. Da sua artilharia constavam onze peças.
Em 1618, reconstruido pelo Engenheiro-mor e dirigente das obras de fortificação do Brasil, Francisco de Frias Mesquita.
Em 1603 a 1634 auxiliou a defesa de terra, contra um desembarque holandês sob o comando do Almirante Boudewign Hendrickszoon por alturas da baia da Traição.
Em 1631, ainda no comando do Capitão João de Matos Cardoso, já com a progressiva invasão holandesa, o forte teve as suas defesas reforçadas, com a guarnição de duzentos homens e artilhado com dezoito peças, resistindo ao ataque de Dezembro.
Depois 16 navios, 1300 homens no comando do Coronel Hartman Gottfred von Stein Callenfels atacaram, perecendo Jerónimo de Albuquerque Maranhão. As baixas holandesas ascenderam a duzentos mortos e cento e cinquenta feridos.
O forte, na ocasião, estaria artilhado com catorze peças de bronze e quarenta e duas de ferro.
Rechaçado o ataque holandês, de 25 a 28 de Fevereiro de 1634, 24 navios e 1200 homens, comandados por Sigismundo van Schkoppe, o forte sofreu melhorias na direcção do Diogo Pais, tendo passado a ser artilhado com seis peças de bronze e doze de ferro.
No entanto os holandeses irredutíveis, voltaram a atacar, desta vez com 29 navios e 2350 homens, comandados por Schkoppe, que chegou à Paraíba a 3 de Dezembro de 1634. No ataque iniciado no dia seguinte, veio a perecer o Capitão Matos. Substituído pelo Capitão Jerónimo Pereira, em 12 de Dezembro de 1634, que por seu turno, veio a cair, sendo substituído, no comando, por Francisco Gregório Guedes de Souto Maior.
Em 19 de Dezembro, nova frota holandesa, vinda do Recife bloqueou a barra do rio Paraíba, alvejando o Forte de Santa Catarina, em seguida sitiado por tropas de terra.
Ao mesmo tempo, a 23 de Dezembro, caia o Forte de Santo António, que o apoiara, cruzando fogo na margem oposta a norte da foz do rio Paraíba.
Ainda resistiu a Praça por quinze dias, porém com as muralhas arrasadas, sem munições, a artilharia danificada, a capitania rendeu-se.
A cidade de Filipeia e a capitania da Paraíba foi entregue aos holandeses.
A luta custou à defesa, oitenta e dois mortos e cento e três feridos.
Os holandeses, vieram a perder o controlo de Frederica… Filipeia de Nossa Senhora das Neves em 1645, ficando limitados e restritos à ocupação deste forte e do de Santo António.
Aquando da sua capitulação, no Recife em 1645 abandonaram estes, que foram reocupados por forças portuguesas, comandadas pelo Coronel Francisco Figueiroa.
Ao longo dos tempos, o forte foi-se degradando e pelas cartas régias de 28 de Novembro de 1689 e de 29 de Agosto de 1697, reiteradas por ordens datadas de 28 de Agosto de 1699, deu-se a reconstrução com a planta, inicialmente, traçada pelo Sargento-mor Pedro Correia Rebello, mais tarde revista e ampliada pelo Engenheiro Luiz Francisco Pimentel.
O forte… Fortaleza, como Teodósio de Mello, já teve ocasião de visitar, fica apenas a 18 quilómetros da cidade de João Pessoa, na embocadura do da foz do rio Paraíba, já na cidade portuária do Cabedelo.
Mais uma testemunha, da presença portuguesa no Brasil colonial, que os roteiros turísticos assinalam.
Teodósio de Mello, também comtemplou, demoradamente todo o complexo, defensivo e verificou ser muito visitado por grande afluxo turístico.

Daniel Costa


domingo, 14 de maio de 2017

COLONIZAÇÃO DO BRASIL - GUERRAS INTERNAS - CONFLITUALIDADE GERALCIONAL

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COLONIZAÇÃO DO BRASIL – GUERRAS INTERNAS – CONFLITUALIDE  GERACIONAL (?)

Teodósio de Mello, com o seu grande empenhamento em se debruçar sobre a história pós descoberta e consequente colonização do Brasil, não deixava de ter a mente sempre em actividade, virada para o grande empreendimento de gerações, de séculos.
Definitivamente expulsos os usurpadores, como espanhóis, Ingleses, franceses e holandeses, passou a haver “guerrinhas” entre grupos de colonizadores portugueses, as chamadas guerras nativistas.
Estão neste caso, as guerras dos “Emboadas”, de 1707 – 1709, ou outras que se vieram a travar entre bandeirantes e portugueses, e outros emigrantes do Brasil.
A dos Mascates, 1710 – 1711, que opôs os senhores de terras e engenhos pernambucanos, concentrados na cidade de Olinda, e os comerciantes portugueses da metrópole, de mais recente emigração para a colónia.
Dir-se-á ter havido falta de solidariedade, porém já uma nova cultura, de cerca de dois séculos, se podia verificar na grande colónia de Portugal. Já se podia augurar a futura independência, à distância de um século, como veio a verificar-se.
Ou ainda a Revolta de Filipe Santos, também conhecida por revolta de Vila Rica, 1720, uma das primeiras reacções de descendentes portugueses, contra a metrópole.
Aconteceu na então Vila Rica, Ouro Preto, do Estado de Minas Gerais. Tendo culminado com enérgica reacção do governador João de Almeida Portugal, Conde de Assumar, motivando a morte, por execução, do líder Filipe dos Santos.
Esta Revolta é considerada percursora da designada por Inconfidência, também referida como Conjuração Mineira, tendo sido de natureza separatista, contra a execução da derrama e do domínio português, motivo porque foi reprimida pela Coroa portuguesa em 1798.
Fica todo um campo de fértil estudo, para os especialistas em ciências sociológicas, de que o francês Augusto Comte terá sido iniciador.
Os sociólogos portugueses e brasileiros, cujo que seria fastidioso citar neste estudo histórico, decerto não deixarão de se debruçar, já que diz respeito aos povos hora também designados por de países irmãos.
Teodósio de Mello, pelo presente estudo e por outras vias, que vai cruzando, formou a sua opinião, a sua real ideia das motivações, da grande odisseia da gesta portuguesa de há cerca de 500 anos.
De muitas gerações subsequentes.

Daniel Costa





sexta-feira, 5 de maio de 2017

ARQUIPÉLAGO DE FERNANDO DE NORONHA

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ARQUIPÉLAGO DE FERNANDO DE NORONHA

A 360 km a nordeste da cidade de Natal, no Rio Grande do Sul, fica o arquipélago de Fernando de Noronha, formado 21 ilhas e ilhéus, de origem vulcânica.
A sua descoberta aconteceu logo, entre 1500 e 1502 e é atribuída a uma expedição comandada pelo explorador Fernando de “Loronha” sendo certo, porém, que o primeiro a descrevê-lo foi Américo Vespúcio, a partir de expedição entre 1503 a 1504.
Primeira capitania hereditária do Brasil, Ingleses, franceses e holandeses, entre os séculos XVI e XVIII, o foram invadindo.
Por carta régia, Fernando de Noronha, em 1700, tornou-se dependência de Pernambuco, capitania a que já tinha ligação histórica.
A Companhia Francesa das Índias Orientais, em 1736, invadiu-o e passou a lhe atribuir a de designação de Isle Daufine.
No ano seguinte uma expedição enviada do Recife expulsou os franceses.
Fernando de Noronha segundo registos escritos, foi descoberta em 10 de Agosto de 1503, por uma expedição portuguesa organizada e financiada por um consócio privado, liderado pelo comerciante de Lisboa, Fernão de Noronha.
Gonçalo Coelho era o capitão, que também levava o aventureiro italiano, Américo Vespúcio. A nau que capitaneava a expedição, embateu num recife e naufragou já perto da ilha, tripulação e carga tiveram de ser resgatados.
Sob as ordens de Gonçalo Coelho, Vespúcio ancorou na ilha e lá passou uma semana, enquanto o resto da frota, ficou ao sul.
Vespúcio descreve a ilha, em carta a Pedro Sodeneri, como desabitada.
O diário de bordo de Martim Afonso de Sousa, na década de 1530 referia-se ao arquipélago, como ilha de Fernando de Noronha (Loronha era erro ortográfico, então muito comum).
Fernão de Noronha, não só tornou a ilha capitania hereditária, como estabeleceu um monopólio comercial sobre o comércio do Brasil.
Entre 1503 e 1512, os agentes de Fernando de Noronha estabeleceram uma série de feitorias, ao longo da costa brasileira, envolvendo-se no comércio de pau-brasil, madeira nativa, com os índios locais, altamente valorizada, pelos costureiros europeus visto, que servia como corante vermelho.
A ilha era o ponto central da rede.
O pau-brasil colhido, em continuidade, pelos índios da costa e entregue aos vários armazéns do litoral era enviado para o armazém central do arquipélago.
Entretanto visitados por navio de transporte maior, que levava o produto para a Europa.
Logo após caducidade, em 1512, a organização foi assumida pela coroa portuguesa. No entanto, Fernão de Noronha e os seus descendentes mantiveram a posse da ilha e a capitania hereditária, pelo menos até à década de 1560.
A UNESCO, em 2001, declarou o arquipélago de Fernando de Noronha, como Património Natural da Humanidade, citando os seguintes motivos: 
- A importância da ilha como área de alimentação de várias espécies, como atum, peixe-agulha, cetáceos, tubarões e tartarugas marinhas.
-  Elevada população de golfinhos residentes.
- Protecção de espécies ameaçadas de extinção, como a tartaruga-de-pente e diversas aves.

Daniel Costa




sexta-feira, 28 de abril de 2017

ITANHAÉM E O PADRE JOSÉ DE ANCHIETA

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ITANHAÉM E O PADRE JOSÉ DE ANCHIETA

Itanhaém município da Baixada Santista, no estado de São Paulo, é a segunda cidade mais antiga do Brasil.
Nome de origem no antigo tupi significará “prato de pedra”: itá “pedra” e nha-em “prato” = Itanhaém.
O rei de Portugal, em 1532, enviou uma expedição a terras do Continente Americano, objectivando a colonização, assim como a fundação dos primeiros núcleos de população europeia ali.
Na tradição, a hipótese mais provável, é de que Martim Afonso de Sousa, comandante dessa expedição, durante dois anos, de estadia na região de São Vicente, terá fundado o núcleo original da cidade de Conceição de Itanhaém, em 22 de Abril de 1532, na margem oriental da foz do Rio Itanhaém, no vale do Morro Itaguaçu.
Aparecem outras teorias a afirmar que Itanhaém terá sido fundada depois.
Certo é, porém, que a povoação já existia em 1561, quando a documentação oficial histórica, indica a sua elevação à categoria de Vila.
O povoado surgiu junto do Convento de Nossa Senhora da Conceição, Estrategicamente, construído no alto do Morro. A Vila ficava cerca de onde está hoje a Praça Doutor Carlos Botelho, à época nas margens do antigo leito de Rio Itanhaém.
A original localização era estratégica, em caso de ataque de índios, os moradores se pudessem refugiar no alto do morro e aí se defenderem.
Como já foi escrito, a povoação foi elevada à categoria de vila em Abril de 1561, pelo capitão-mor Francisco de Morais, nomeada então Vila Conceição de Itanhaém.
A Vila passou a ter a sua própria Câmara Legislativa e seu primeiro núcleo político.
De notar que, uma das primeiras igrejas do Brasil foi construída, na época, em terras de Itanhaém, de que existem apenas as ruínas chamadas “Abarebebê”, que traduzido do tupi, significa “padre voador”, actualmente município de Peruíbe.
Em 1500, aquando do descobrimento do Brasil, já havia na região a aldeia dos Índios Peruíbe.
Porém, a história da povoação está, intimamente ligada ao estabelecimento dos jesuítas, pelo litoral de São Paulo.
Em 1563 o navegador alemão Hans Staden naufragou no alto mar, tendo nadado para a vila de Itanhaém, partindo depois para o litoral norte.
Uma outra figura da cidade foi o padre José de Anchieta, que peregrinou pela região durante o século XVI, na catequese dos índios locais.
O auge da sua importância, deu-se de 1624 até 1753, quando esta foi elevada a Cabeça da Capitania de Itanhaém, governada pela Condessa do Vimieiro e por seus descendentes.
Na época cabeça de capitania, equivaleria a ser o que é hoje capital estadual.
De notar que, a condessa era neta de Martim Afonso de Sousa e através de herança, governaria a Capitania de São Vicente, de que fazia pate Itanhaém.
Após pleito judicial, a Condessa foi destituída do cargo de donatária e por conta própria criou a capitania de Conceição de Itanhém, decisiva para a história do Brasil, já que dela saíram as primeiras Bandeiras, desbravando o interior do continente.
Em 1654, foi ali construído um novo Convento de Nossa Senhora da Conceição, popularmente, conhecido como Convento dos Franciscanos e em 1761 foi inaugurada a Igreja Matriz de San’Anna.

Daniel Costa

sexta-feira, 21 de abril de 2017

CABO FRIO E ARMAÇÃO DE BÚZIOS

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CABO FRIO E ARMAÇÃO DE BÚZIOS

Desmontou-se a Fortaleza de Santo Inácio e em simultâneo a construção do Forte de São Mateus, com o término em 1620.
Estêvão Gomes, velozmente, deu início à distribuição de terras a amigos apadrinhados e influentes, em favorecimento da formação de latifúndios.
Já em 1617, Estêvão Gomes, apoiara a criação da Aldeia de Índios de São Pedro do Cabo Frio, pelos jesuítas, que abrigou quinhentos tupiniquins catequizados, objectivamente, para evitar desembarques inimigos europeus.
Em 1617, 1618 e 1630 a guarnição de fortaleza, integradas pela infantaria indígena derrotam tentativas de desembarque Inglês e holandês, abrindo portas à elevação, em 1619, da cidade à sede da Capitania Real do Cabo Frio, com a conquista do norte fluminense e a submissão, em 1631, dos índios goitacazes.
Jesuítas e beneditinos, estabeleceram fazendas de gado, onde africanos e índios catequisados trabalhavam e se dedicavam à agricultura e pesca.
O jesuíta João Lobato, cerca de 1617, manda vir assentar quinhentos índios tupinambás do Espirito Santo, na ponta de Jacuruna, onde fundou a aldeia de São Pedro.
O governo da Metrópole, em 1619, criou a Capitania Real de Cabo Frio, ficando esta, directamente dependente da autoridade colonial da Bahia, independente da do Rio de Janeiro.
Entretanto os índios tupinambás, de São Pedro, destruíram algumas aldeias goitacazes. Então os portugueses, do Espírito Santo, aniquilaram-nos de forma cruel.
Como os jesuítas, com a região desimpedida, com a sua visão aguçada e apurada, passaram a exigir duas sesmarias à capitania do Rio de Janeiro e logo atendidos. Sendo estas localizadas entre os rios Ostras e o Macaé.
Visavam assim, mais uma vez, a criação do gado e a agricultura. O relativo sucesso da, colonização rural, da capitania, contrastava com o urbano que impedia novos investimentos em Cabo Frio.
Os primeiros pescadores que se radicaram na região, entre 1620 e 1630, retiraram-se e procuraram melhor vida nas barras dos rios Macaé e Paraíba do Sul.
Inviabiliza-se a cidade de Cabo Frio, em virtude da barra de navegação estar semi – entupida e a fortaleza sem armamento e sem guarnição.
A crise do sal português, entre 1560 e 1660, que estava a faltar no Brasil, chamou a atenção da metrópole, para a sua cristalização natural, a fazer na Lagoa de Araruana.
Com essa, foi dado impulso à economia e um novo centro urbano foi erguido junto a actual Praça Porto Rocha, tendo-se rasgado a rua Direita (Érico Coelho).
A Igreja de Nossa Senhora da Assunção e o da Câmara e da cadeia, que formavam o Largo da Matriz, onde ficou o pelourinho.
Cerca de 1660, as condições geo – políticas ajudaram a facilitar o retorno de investimentos à cidade de Cabo Frio.
José Varella em 1663 foi reconduzido capitão – mor de Cabo Frio. A seguir, os frades beneditinos receberam uma sesmaria urbana, dando origem ao bairro de São Bento.
Procurando avivar os marcos da sesmaria recebida na cidade de Cabo Frio, para a construção de um convento em 1620, dentro da área encontraram um forno de para fabrico de cal entre outras benfeitorias.
Um ano depois, em 1664, pedem mais terras para levantar as casas para os frades que vêm povoar a cidade.
Em 1666 Bento de Figueiredo assumiu as suas funções de vigário de Nossa Senhora da Assunção.
Trinta anos depois, em 1696, os religiosos franciscanos inauguraram o Convento de Nossa Senhora dos Anjos, próximo à Fonte de Itajuru, consolidando o perímetro histórico do novo centro administrativo Colonial.
Chegados ao século XVII, o desenvolvimento urbano estancou novamente. Aponte-se dois motivos; a aldeia de índios de São Pedro, de jurisdição dos jesuítas, de dois mil habitantes, deixou de impedir o desembarque de inimigos em Búzios e por isso, a maior riqueza dos colonizadores, a exploração das salinas naturais, foi proibida terminantemente, embora a ordem não fosse cumprida.
O Forte de São Mateus, já no início do século XVIII, foi guarnecido e rearmado, tendo a defesa da capitania passado a contar com um terço de infantaria, além de um regimento de cavalaria. A cidade de Cabo Frio expandiu-se.
A igreja de Nossa Senhora da Assunção foi aumentada e construída a capela de Nossa Senhora da Guia no Morro do Itajuru e a Igreja de São Benedito no Largo da Passagem.
Na cidade, viviam cerca de mil e quinhentos habitantes em trezentas e cinquenta casas; cerca de dez mil habitantes espalhavam-se pela capitania, metade era constituída por escravos negros.
A expansão urbana advinha de várias actividades económicas, exportadas para o Rio de Janeiro, pela barra do Araruama.
Em Armação de Búzios entre 1720 e 1770, caçavam baleias e manufactura-se o óleo.
Nas pescarias de alto mar e no interior na lagoa capturava-se o peixe e o camarão.
Os Barreiros e olarias eram produzidos tijolos e telhas, enquanto nas florestas se derrubavam madeiras nobres.

Teodósio de Mello, sempre pesquisando apenas o Brasil Colonial, por interessante, não deixou de reparar num facto bem interessante, do século XX. É o facto de, em 1964 a Vedeta de “E Deus Criou a Mulher”, Brigitte Bardod, que então, namorava o marroquino Bob Zagori, a viver no Brasil. Ambos se reuniram em férias em Armação de Búzios.
A impressa mundial fez-se representar em força, para reportar o facto da famosa vedeta estar ali presente.
O grande aparato, de toda esta presença, foi causa da enorme promoção do turismo da zona, que as autoridades locais assinalam, erigindo uma estátua de homenagem à artista.

Daniel Costa



sexta-feira, 14 de abril de 2017

MUNICÍPIO DE CABO FRIO

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MUNICIPIO DE CABO FRIO
Data de há cerca de seis mil anos, quando um grupo nómada chegou,  à costa, em canoas, acampando no Morro dos Índios, pequena ilha rochosa na actual barra da Lagoa de Araruma.
Evidências arqueológicas encontrada em “sambaqui” (concheiras), mais tarde abandonado, devido ao possível esgotamento de recursos de sobrevivência, baseados na pesca e na caça.
Há cerca de mil e quinhentos anos os guerrilheiros indígenas tupinambás iniciaram a conquista do litoral da região, evidenciando adaptação mais eficaz que os nómadas pioneiros.
Em 1503, deu-se a terceira expedição portuguesa, que sofreu um naufrágio no arquipélago Fernando Noronha, tendo-se dispersado a frota remanescente.
Dois navios comandados por Américo Vespúcio seguiram até à Bahia e daí para Cabo Frio.
Na barra de Araruama, construíram e guarneceram uma fortaleza- feitoria, para explorar o pau-brasil, abundante na margem continental da lagoa.
Este estabelecimento comercial-militar pioneiro, em 1512 efectivou a posse portuguesa da nova terra descoberta, começando a conquista do que foi destruído pelos tupinambás, devido às muitas desordens e desavenças, havidas entre eles, em 1526.
Desde 1504 os franceses traficavam o pau-brasil, na costa brasileira com os índios. Durante as três primeiras décadas do século XVI, praticamente a sua acção se restringiu ao litoral da região nordeste.
Devido ao policiamento naval português, a partir de 1540, os franceses em 1556, viriam também a construir uma fortaleza-feitoria para continuarem a exploração do pau-brasil, no mesmo ilhéu, anteriormente construído pelos portugueses, junto à barra do porto do Araruama. 
Esta fortaleza cabofriense consolidou e ampliou o domínio francês iniciado com a fortaleza de Villegaignon, um ano antes, no Rio de Janeiro.  
Depois em 1575 aconteceu a chamada Guerra de Cabo Frio, António Salema, o governador do Rio de Janeiro, com um poderoso exército, com homens da Guanabara, São Vicente e Espirito Santo, com o apoio de tropa, catequizadas, tupininquim.
Por terra e mar, oficiais e soldados, com o objectivo de acabar com o último bastião da Confederação dos Tamoios e acabar com domínio francês, de duas décadas, em Cabo Frio.           
Depois do cerco e rendição da fortaleza, franco - tamoia, dois franceses, um Inglês e o pajé (na antropologia brasileira – o especialista ritual)  tupinambá foram enforcados. Quinhentos guerreiros assassinados a sangue frio e cerca de mil e quinhentos índios escravizados. Os vencedores, de seguida entraram pelo sertão, queimando aldeias, mataram mais de dez mil índios, aprisionando outros tantos.
Os sobreviventes refugiaram-se na Serra do Mar.
De Macaé a Saquarema, em virtude do massacre, transformou-se num deserto humano, servindo esporadicamente, de passagem para os índios goitacases, na procura de caça e pesca.
Depois do abandono dos portugueses, estes com base na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, estabeleceram um eficiente bloqueio naval.
Com a perda da independência de Portugal, de 1576 a 1615, o porto de Araruama voltou a ser frequentado por navios franceses, Ingleses e holandeses, sempre em busca do pau-brasil e tornando-se também a base da pirataria, contra embarcações portuguesas.
Depois de 1580, redobrou a presença destes, arvorando bandeiras inimigas dos espanhóis.
O então governador do Rio de Janeiro, Constantino Menelau, finalmente, recebeu do rei Filipe II, para mais uma vez regressar à região.
A 13 de Novembro de 1615, com a ajuda de quatrocentos homens brancos e índios catequizados, junto à barra de Araruama, levantou a Fortaleza de Santo Inácio e fundando a Cidade de Santa Helena de Cabo Frio.
Em 1616, Estêvão Gomes, fazendeiro e comerciante de escravos africanos no Rio de Janeiro, foi nomeado capitão-mor de Cabo Frio, transferindo o sítio da povoação colonial para o actual bairro da Passagem, que rebaptizou de cidade de Nossa Senhora da Assunção de Cabo Frio.

Daniel Costa