quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL

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Foto de Daniel Costa.
BRASÍLIA – DISTRITO FEDERAL

Sendo capital da República Federativa do Brasil, Brasília é ao mesmo tempo, capital de uma das 27 unidades federativas daquele país, situada na Região Centro Oeste.
Aquele Distrito Federal é, na prática, um enclave no estado de Goiás, idealizado por num projecto do então presidente Juscelino Kubitschek, de mudança da capital, da cidade do Rio de Janeiro, para o centro do país.
Aconteceu já na década de 1960, também separado do de Minas Gerais por uma ponte de 130 metros sobre o rio Preto.
Até à chegada, no século XVI, aquela zona central onde está hoje o Distrito Federal, era ocupada por indígenas do tronco macro-jê, como os acroás, os xavantes, os caiapós, os javaés…
No século XVIII, a região era cortada pela linha do tratado das Tordesilhas que, como se sabe, dividia os domínios dos portugueses dos espanhóis e tornou-se rota de passagem para os garimpeiros de origem portuguesa, em direcção às minas de Mato Grosso e a Goiás.
SABEDORIA DOS ÍNDIOS
“Nós os índios, conhecemos silêncio.
Não temos medo dele.
Na verdade, para nós ele é mais poderoso que as palavras.
Nossos ancestrais foram educados nas maneiras do silêncio e eles nos transmitiram esse conhecimento.
“Observa, escuta, e logo atua”, nos diziam. Esta é a maneira correta de viver.      
Observa os animais para ver como cuidam dos seus flhotes.
Observa os anciões para ver como se comportam.
Observa o homem branco para ver o que querem.
Observa primeiro, com o coração e a mente quietos e aprenderas. Quando tiveres observado o suficiente, então poderás atuar”.

A partir de 1500, da expedição, que aportou a terras, que viriam a chamar-se Brasil, comandada por Pedro Álvares Cabral, a região habitada por indígenas ameríndios, até à sua independência, em 1822 é apenas o espaço - tempo, que Teodósio de Mello se propôs estudar.
Foi isso que o motivou a morar no hotel Tambaú, à vista daquele excelso mar da cidade de João Pessoa.
Entretanto, ia observando toda a integração étnica, que os colonizares portugueses iam suscitando e provocando com a sua presença. Observou haver bastantes cruzamentos étnicos. Os portugueses, devido talvez a uma longa tradição de, internamente terem convivido com variados povos, para além dos escravos, podem orgulhar-se de não terem semeado xenofobia. Na observação de Teodósio de Mello, tal como em Portugal, o povo em si é tolerante.
O que se possa aventar é esse mal: do racismo de classes, que afinal é da condição humana.
Senão veja-se, no desenvolvimento de qualquer sociedade, três componentes estão sempre presentes; a religiosa, a económica e a política.
Era este prisma que também guiava Teodósio de Mello, afinal o que motivou tantos portugueses a desembarcar e a desbravar o Brasil?
- Claro que, mais que tudo, a ambição económica!
Uns conseguiram enriquecer, outros jamais o conseguiram, dai que as desigualdades sociais continuassem a ser um facto, originando as classes económicas.
Talvez nenhum lugar do mundo tenha passado por uma miscigenação tão intensa como o Brasil.
Grande parte dos colonizares portugueses ali se miscigenou com índios e africanos, dando origem a entre outras, a bonita mulher cafusa.
Teodósio de Mello, no próprio hotel que elegera como morada, a determinada altura, estava na sala do pequeno-almoço, a amada Samira, eis que se lhe deparam, também no repasto, duas mulheres a parecerem índias.
A primeira reacção foi a ideia de meter conversa com elas, mas retraiu-se e preferiu tentar fazer uma boa observação. Assim fez, sempre a balbuciar e comentando com a namoradinha.
No dia seguinte, como estava certo que aconteceria, lá estavam de novo, ambas, agora acompanhadas com a filhota de uma, apresentando também traços de índia.
Então Teodósio de Mello, declinando o seu nome, apresentado um semblante sorridente, apresentou-se e pediu para as fotografar. Elas de imediato, bem simpáticas se predispuseram a aceitar.
Depois do que resultou, a almejada troca de conversa; não elas, embora com os traços bem vincados não eram índias, mas sempre sorridentes, admitiram ser descendentes dessa etnia.
Em conversa, veio a saber, estarem ali de férias vindas de Brasília, sua cidade.
De facto as mulheres foram muito simpáticas e por mais dias, tantos quantos elas ali permaneceram, conversaram ao pequeno - almoço, até às despedidas.
Aconteceu que, Teodósio de Mello, sentiu-se transportado à contemporaneidade do início da colonização do Brasil.

Daniel Costa







quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

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MACEIÓ E PORTO GALINHAS

 No início da colonização, século XVII, navios portugueses fundeavam onde hoje se localiza o porto do bairro do Jaraguá, sendo ai carregadas madeiras das florestas do litoral. Mais tarde, o porto também serviu para o embarque de açúcar, produzido pelos engenhos locais.
Antes da fundação de Maceió, capital colonial de Alagoas, em 1609, Manuel António Duro, morou no onde hoje é o bairro de Pajuçara, recebendo do alcaide-mor de Santa Maria Madalena, Diogo Soares, uma sesmaria.
Em 1673, as terras mudaram de dono. O rei de Portugal determinou ao Visconde de Barbacena, a construção de um forte no bairro de Jaraguá.
Com isso, deu-se um grande desenvolvimento na região e o povoado recebeu uma pequena capela dedicada a Nossa Senhora dos Prazeres, mais tarde padroeira da cidade.

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A praia de Porto de Galinhas, de início, foi chamada de Porto Rico, devido ao pau-brasil ser ali muito abundante.
No auge da escravatura no Brasil, era o principal ponto de escravos ilegais do nordeste.
Muitas vezes, os mesmos chegavam escondidos em baixo de engradados de galinhas-d’angola.
Achegada dos escravos ilegais ao porto, era costume ser anunciada com a frase: “tem galinha nova no porto”!
Da forma resultou que, a praia de Porto Rico, acabou mesmo por ficar conhecida e designada, oficialmente, por Porto de Galinhas.

Daniel Costa










domingo, 25 de dezembro de 2016

IGREJA DE SÃO FRANCISCO - CENTRO HISTÓRICO DE JOÃO PESSOA




Foto de Daniel Costa.
Foto de Daniel Costa.
Foto de Daniel Costa.

GREJA DE SÃO FRANCISCO - CENTRO HISTÓRICO DE JOÃO PESSOA

A monumental igreja de São Francisco pode ser considerada, como um dos paradigmas da evangelização que fez parte da colonização. Assim meditou Teodósio de Mello, ao visitá-la, demoradamente, o que fez parte do seu estudo sobre a colonização do Brasil.
Dado ter estabelecido morada, naquele paraíso tropical, que é João Pessoa, a grande cidade atlântica, por natureza. Já por lhe parecer ter uma das melhores localizações, para miradouro da história da colonização do Brasil, tendo em conta a extensão das suas costas marítimas, estava também a deparar-se com valiosos monumentos históricos.
A arquitectura franciscana da igreja, é historicamente, e não só, extremamente valiosa, para o estudo da missionação e até da aculturação, sobretudo do Nordeste do Brasil, por consequência, de toda a grande Nação Sul-Americana, de língua portuguesa.
A igreja de São Francisco faz parte do Centro Cultural, do mesmo nome, de João Pessoa, criado já no século XX, no governo de Tarciso de Miranda Burity. Ali funciona o complexo arquitectónico, que além desta igreja, que possui no adro um cruzeiro, notável testemunho, do Barroco no Brasil.
A igreja destaca-se, em primeiro lugar como pode ver-se, um cruzeiro na entrada do adro. Uma grande cruz monolítica, onde se vislumbram diversas águias bicéfalas, cujas representariam a chamada união ibérica, entre Portugal e Espanha, uma vez que Filipe II de Espanha, governava Portugal, como Filipe I a partir 1556.
Antes da porta principal, pode ser visto um terraço, mais conhecido como galilé, uma área onde os indígenas e as prostitutas ficavam a assistir à missa, visto que não lhes era permitido entrar na igreja com outras pessoas.


Remontam, as suas origens, à chegada ao local, em 1588 de Frei de Melchior de Santa Catarina, designado para instalar ali uma missão franciscana.
Todo um convento foi fundado em 1589, com projecto de Frei Francisco dos Santos, quatro anos depois da ocupação da região pelos portugueses, tendo sido concluído em 1591 pelo Guardião Frei António do Campo Maior.
A sua conformação, presente, é fruto de várias reformas dos séculos XVII e XVIII.
Inicialmente, era apenas uma pequena edificação de taipa com doze celas e um claustro, depois ampliada nos anos seguintes, já em alvenaria e pedra calcária.
Em 1634 foi ocupada pelos invasores holandeses e transformada em fortificação.
Depois recuperada pelos franciscanos, que a reformaram, concluindo-a em 1661. Nos seguintes dois séculos sofreria outras intervenções, até a fachada da igreja ser concluída em 1779, conforme a data gravada no frontispício.
Os interiores foram ricamente decorados, destacando-se a azulejaria, talha dourada e pintura.
Todo o convento se tornou o maior centro franciscano a norte de Pernambuco tendo um papel decisivo na ocupação da região, devido ao trabalho missionário e cultural dos frades.
A decoração interna apresenta várias alegorias ao assunto.
O conjunto arquitectónico é considerado, o mais perfeito representante da escola franciscana de arquitectura do nordeste brasileiro, no estilo; Barroco-Rococó.
O tecto da igreja é decorado com uma das mais importantes pinturas de arquitectura ilusionística do Barroco brasileiro mostrando a glorificação dos Santos Franciscanos.
A tradição atribui a José Joaquim da Rocha, fundador da escola baiana de pintura, a sua autoria, mas há pesquisadores a defender outros autores.
O claustro, é a parte mais antiga, terminado cerca de 1730. Este revela influência mourisca,  sendo constituído por um pátio quadrado, cercado por uma galeria coberta, para onde se abrem as celas.
Os azulejos das paredes laterais são decorados com motivos vegetais. No interior e no adro também há vários painéis de azulejos. Na primeira os motivos são a história de José do Egipto, no segundo, cenas da Paixão.
O púlpito, cuja beleza é indesmentivelmente maravilhoso, foi considerado pela Unesco, único no mundo, pelo esplendor da sua talha revestida a ouro.
 A igreja é uma verdadeira obra de arte que emociona, como emocionou Teodósio de Mello, pela sua grandiosidade, harmonia e graciosidade. Até pela intemporalidade.
O piso do adro é em lajes bem antigas.

Daniel Costa












segunda-feira, 21 de novembro de 2016

terça-feira, 15 de novembro de 2016

ALAGOAS, A GUERRA COM OS HOLANDESES E O QUILOMBO DE PALMARES

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ALAGOAS, A GUERRA COM OS HOLANDESES E O QUILOMBO DE PALMARES

No princípio do século XVII, Penedo, Porto Calvo e Alagoas, admitindo-se essas promoções fossem atribuídas no século anterior. Mas em 1636 é foram elevadas a vilas, com a economia baseada na actividade açucareira, visto que os engenhos de açúcar se tornaram os núcleos principais da ocupação da terra.
A partir de 1630 Alagoas é atingida pela invasão holandesa, tendo povoados, igrejas e engenhos incendiados e saqueados.
Os portugueses reagiram duramente. Batidos por sucessivos reveses, os holandeses, já desanimavam, pensando em retirar-se quando para eles se passa o mameluco Domingos Fernando Calador, de Porto Calvo.
Grande conhecedor do terreno, orientou-os em nova expedição a Alagoas.
Tendo os invasores, aportado à Barra Grande passaram a vários pontos com êxito. Em Santa Luzia do Norte, a população ainda resistiu.
Após encarniçada batalha os holandeses, recuaram e retomaram a Recife.
No entanto, caindo em seu poder o arraial do Bom Jesus, entre Recife e Olinda, adregaram vitórias.
Alagoas, Penedo e Porto Calvo, foram os pontos principais se travou a luta em terras alagoanas.
Por fim, os portugueses retomaram Porto Calvo e aprisionaram, que morreu na forca em 1635.
Clara Camarão, uma mulher porto-calvense de sangue indígena, também se salientou na luta com os holandeses, acompanhando o marido, o índio Filipe Camarão, na maior parte dos lances, arregimentando outras mulheres, tomando-lhes a dianteira.
Por volta de 1641, um chefe holandês afirmou a região estar quase despovoada. João Maurício de Nassau pensou em repovoá-la, contudo o projecto não foi em frente.
À época também se produzia fumo (planta, antigamente conhecido por “ouro verde”) em Alagoas, considerado de qualidade excelente, o da Barra Grande.
Em 1645 a população participou na reacção nacionalista, na luta sob o comando de Cristóvão Lins, neto homónimo do primeiro povoador de Porto Calvo.
Expulsos os holandeses do território, em Setembro de 1645, a prossegue na luta, agora em território de Pernambuco.
No fim do século XVII, São intensificadas lutas contra os quilombos, os negros agrupados nos Palmares.
Frustradas as primeiras tentativas de Domingos Jorge Velho em 1692. Dois anos depois o quilombo é derrotado, com ataques simultâneos de três colunas: uma, de paulistas; outra de pernambucanos, comandados por Bernardo Vieira de Melo, a terceira, de alagoanos sob o camando de Sebastião Dias.
Palmares, começou a formar-se ainda no em fim do XVI século, durando cerca de em anos.
Dos maiores redutos de escravos foragidos da era colonial, Palmares ocupava, a vasta área que, coberta de palmeiras, se estendia do cabo de Santo Agostinho ao rio São Francisco. A superfície, progressivamente, reduzida com o passar do tempo viria, em fins do século XVII, a concentrar-se, na ainda extensa região delimitada pelas vilas de Una Serinhaèm em Pernambuco e Porto Calvo, Alagoas e São Francisco penedo, também em Alagoas.
Os escravos se organizaram reduto, um verdadeiro estado, em moldes africanos com o quilombo constituído de diversas populações (mocamos) cerca de onze, governadas por oligarcas, na chefia suprema do rei Ganga-Zumba.
A partir de 1667, intensificaram-se as entradas contra os negros, a princípio com a finalidade de os recapturar, em seguida com a de reconquistar as terras de que aqueles se tinham apoderado.
As investidas do sargento-mor Manuel Lopes em 1835 e de Fernão Carrilho 1677, foram desastrosas para os quilombos. As hostes aguerridas em seguida a uma primeira expedição punitiva, em 1679, que liquidaria o velho, verdadeira e última resistência.
Desapareceu o quilombo de Palmares, em 20 de Novembro de 1695.

Daniel Costa






quinta-feira, 10 de novembro de 2016

ALAGOAS E O PLANALTO

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ALAGOAS E O PLANALTO

Reconhecida desde as primeiras expedições portuguesas, a costa do actual Estado de Alagoas, desde cedo, foi também visitada por embarcações de outras nacionalidades, para escanto do pau-brasil.
Alagoas aquando da instituição de Capitanias Hereditárias foi integrada na de Pernambuco, a sua ocupação remonta à fundação da vila do Penedo em 1545, pelo donatário Duarte Coelho Pereira, que incentivou a fundação de engenhos na região, nas margens do rio São Francisco.
Região celebrizada, por ter palco do naufrágio da nau Nossa Senhora da Ajuda e posterior massacre dos sobreviventes, entre os quais o bispo dom Pero Fernandes Sardinha, pelos caetés, em 1556. O episódio serviu de justificação para a guerra de extermínio desse grupo indígena pela Coroa portuguesa.
No início do XVII século, para além da lavoura de cana-de-açúcar, a região de Alagoas já tinha expressão como produtora regional de farinha de mandioca, tabaco e peixe seco, consumidos na Capitania de Pernambuco.
Durante as invasões holandesas do Brasil, de 1630 a 1654, o seu litoral tornou-se terreno de violentos combates, multiplicaram-se os quilombos no seu interior, os africanos evadidos dos engenhos de Pernambuco e da Bahia.
Palmares, o mais famoso chegou a contar, com vinte mil pessoas, no seu apogeu.
Os quilombos constituíam locais de refúgio de escravos africanos e afrodescendentes, em todo o continente americano. Eram entendidos pelo Conselho Ultramarino, do governo português em 1740, como todo o agrupamento de negros fugidos que passesse de cinco.
A comarca de Alagoas, constitui-se em 1711, sendo desmembrada da Capitania de Pernambuco, por decreto de 16 de Setembro de 1817, em consequência da revolução pernambucana daquele ano.
Foi o seu primeiro governador, Sebastião Francisco de Melo e Póvoas, assumindo a função a 22 de Janeiro de 1819.
Barra Grande terá sido o primeiro ponto do Território de Alagoas visitado por descobridores europeus, por ocasião da viagem de Américo Vespúcio em 1501. Embora não haja qualquer referência àquele porto, excelente para acolher navios. Como a expedição vinha de norte para sul, pode crer-se que o primeiro contacto com a terra alagoana tenha ocorrido ali.
Vespúcio assinalou um rio a que chamou São Miguel. A 4 de Outubro denominou São Francisco o rio então descoberto, actualmente limite de Alagoas com Sergipe.
Nas décadas seguintes os franceses andaram pela costa alagoana, no tráfico do pau-brasil. O porto do Francês documenta a presença daquele povo.
Em 1570, em segunda bandeira enviada por Duarte Coelho, comandada por Cristóvão Lins, explorou o norte de Alagoas, onde fundou Porto Calvo e cinco engenhos, dos quais ainda existem dois. O Buenos Aires e o Escurial.
Neste, repousou em 1601, o corsário Inglês Anthony Knivet, que viajara por terra após fugir da Bahia, onde estivera prisioneiro dos portugueses.
Quão é importante fazer-se uma reflexão, sobre a expansão marítima de Portugal, pela lógica da dinâmica criação do reino, por D. Afonso Henriques.
Portugal com a sua origem, como pais, no Condado Portucalense, devido a estar afastado dos centros de decisão, politica, da cristandade europeia, então vigente, na primeira dinastia, foi conquistando terras aos moiros, rumando ao sul.
Chegado ao Algarve e consequentemente ao mediterrânio, estavam traçadas as fronteiras do país.
Porém, as elites constituídas pelos fidalgos, a irrequietude de espirito, a que não seria alheia uma crescente demografia, iam ditando que as fronteiras se estabelecessem para além do oceano, dado este ser patente, em metade do país.
Tudo isso explica a expansão ultramarina, de que o Brasil foi paradigma.
Era nisto que Teodósio de Mello meditava, enquanto ia pensando no quanto os portugueses foram vencendo todos de obstáculos.
Só assim se explica que o Brasil, na sua extensão, seja hoje um grande espaço da lusitanidade, que a todos deve orgulhar, já que a nossa pátria é a nossa língua.

Daniel Costa






sexta-feira, 4 de novembro de 2016

GUARABIRA - TERRA DA LUZ - CAPITAL DO BREJO

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GUARABIRA – TERRA DA LUZ - CAPITAL DO BREJO

O nome Guarabira vem do temo tupi Guiraobira que designava o chefe da tribo. O topónimo pode, entre outras interpretações, ser traduzido, por pássaro verde.
Por volta do décimo século, a região foi invadida por povos tupis procedentes da Amazónia, que expulsaram os originais habitantes, falantes de línguas macro-jês, para o interior do continente.
Quando os primeiros exploradores, no século XVI, chegaram à região, esta era habitada pela tribo dos potiguares.
No reinado de Filipe III de Espanha, II de Portugal, Duarte Gomes da Silveira, filho de pais portugueses, Pedro Alves da Silveira e Maria Gomes Bezerra, nascera em Olinda e teve notável influência nas origens de Guarabira. Foi durante o domínio espanhol que ele iniciou perto da Araçagi, a pecuária e os latifúndios.
Relevante foi a ida da vila de Natal para Cupuoba e Quandus, aldeia de índios, do Jesuíta Gaspar de Samperes, no fim das guerras dos potiguares, em 1578, em missão de paz.
O padre viajou a pé para a pacificação potiguar, sem armas, apenas vestido da couraça da fé, transformado os valentes rebeldes selvagens em ovelhas mansas e fiéis.
O jesuíta Gaspar era espanhol.
Tempos após, holandeses garimpeiros, sob as ordens de Elias Herckmans, procuravam minas no Rio Araçagi desta zona, o que ocorreu na segunda metade do seculo XVI, aquando da capitania da Paraíba e fundação do município da Senhora das Neves, em 1585, o que viria a ser a cidade de João Pessoa.
Em 1592, Feliciano Coelho de Carvalho, governador da capitania, com a colaboração dos tabajaras, conseguiu, diversas vezes, travar combates vencedores, com índios potiguares e seus aliados franceses, que se localizavam na Serra da Copaoba, actual Serra da Raiz. Período, em que mercê dos seus trabalhos, Duarte Gomes recebeu o título de capitão-mor da Serra de Cupaoba.
A fundação de Guarabira teve lugar em 1694, em terras do engenho Morgado, pertencentes a Duarte Gomes Teixeira. As primeiras residências edificadas, mais tarde, deram origem à Vila da Independência, primeiro topónimo da cidade de Guarabira, que em virtude da sua localização e excelência do solo, tornou-se de enorme prestígio e influência nas suas redondezas.
Em 1 de Novembro de 1755, com o conhecido e transcendente terramoto de Lisboa, José Rodrigues Gonçalves da Costa, tomado de pânico fugiu da Póvoa de Varzim, no norte, perto da cidade do Porto, sua terra.
Aportou em Guarabira com toda a família.
Costa Beiriz, por ser da localidade do mesmo nome, como ficou conhecido, mandou construir uma capela onde colocou, uma imagem da Nossa Senhora da Luz, de que era muito devoto e levara de Portugal.
Esta tornou-se a padroeira do município, embora o padre João Milanez, já tivesse construído a primeira igreja do Município, a capela de Nossa Senhora da Conceição em 1730.
Em 1760 começaram as primeiras orações e novenas à Virgem da Luz.
Sempre atento a pormenores ditados pelas suas pesquisas, Teodósio de Mello, não encontrando mais referências a José Rodrigues Gonçalves da Costa, tomou a liberdade de intuir, que o mesmo teria casa com terras em Lisboa, possivelmente na freguesia de Carnide, ainda bastante rural.
De tudo se pode pressupor que ele estaria algures na freguesia de Carnide, onde a Senhora da Luz, na sua vetusta catedral, já era de enorme tradição, ser muito venerada, quando se deu o terramoto, seguido de marmoto.
Acresce ainda que, o grande terramoto, se deu de Lisboa para o sul e a Póvoa de Varzim é bem no norte de Portugal.

Daniel Costa