domingo, 21 de agosto de 2016

MINAS GERAIS - BANDEIRANTES


MINAS GERAIS - BANDEIRANTES

A maior parte da história do estado de Minas Gerais, sem dúvida, foi determinada pela riqueza mineral do território.
O seu próprio nome provém da quantidade, sobretudo, da variedade presente, de minas que são exploradas, desde o século XVII.
Isto observado, por Teodósio de Mello, que em jeito de explorador, há muito decidira desvendar mais, sobre a cultura do Brasil, após a descoberta, oficialmente, pelo navegador português Pedro Álvares Cabral.
O corredor – São Paulo – Rio de Janeiro, no âmbito da colonização, intrigava-o porquanto, saia da zona costeira, onde navegadores continuavam a aportar e onde iam travando batalhas para expulsar e travar pretensões a usurpações, de navegadores de outros países.
Em virtude desta maquinação, munido de vastas informações a propósito, decidiu se fazer presente no terreno, viajando até à cidade de Ouro Preto, a Capital Colonial, da capitania de Minas Gerais.
Mais de cem grupos de indígenas, do tronco linguístico macro-jê, como xacribás, maxacalis ou aranãs,  habitavam, ocupando, o território até ao século XVI.
Décadas depois do descobrimento do Brasil, passaram a ser visados a servir como escravos, sendo capturados, pelos Bandeirantes, para os usarem nas suas fazendas ou para serem vendidos.
Os que resistiam, revoltando-se eram, pura e simplesmente, exterminados.
Teodósio de Mello ficou assim ciente que a criação do estado de Minas Gerais foi obra dos Bandeirantes.
Então é necessário saber quem são e como surgem estes bravos colonizadores.
Bandeirantes é a denominação dos sertanistas do período colonial, que a partir do século XVI, que em boa parte contribuíram para a expansão territorial do Brasil, além dos limites exarados no Tratado das Tordesilhas.
Ocuparam o Centro Oeste e o Sul do Brasil e foram os descobridores de ouro em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.
Os Bandeirantes seriam descentes de primeira e segunda geração de portugueses em São Paulo, havendo também descendências variadas, como de galegos, castelhanos e cristãos novos e outros casos diversos.
Minoritariamente, as suas tropas, também eram compostas de índios escravos e aliados, chegando normalmente, no máximo a vinte por cento, executando tarefas secundárias.
]Os clérigos continuaram a fazer parte, a fé estava sempre presente.
A maioria andavam descalços, geralmente levavam como equipamento, botas e alpargatas,  feitas de couro, coletes, armaduras e outras armas como as espadas.
Os mais famosos Bandeirantes nasceram no que hoje é o estado de São Paulo.
De certo modo, foram os responsáveis pela conquista do interior e extensão para além do limite do Tratado das Tordesilhas, do acordo entre os reinos de Portugal e de Castela.

Robert Southey observou a propósito:
Enquanto os espanhóis, no Paraguai, deixaram-se ficar onde os pusera Irala, tratavam de resto as descobertas que os primeiros conquistadores haviam feito, indiferentes viam perder-se cobertas de nova vegetação as picadas que estes tinham aberto, e quase esqueciam os hábitos e a própria língua da Espanha, continuavam os brasileiros, por dois séculos, a explorar o país ; meses e anos passaram estes obstinados aventureiros pelas florestas e serranias a caçar escravos ou a procurar ouro e prata, seguindo as indicações dos índios. E afinal, lograram assegurar-se a si e à casa de Bragança, as mais ricas minas, a maior extensão da América do Sul, de toda a terra habitável, a região mais formosa

As bandeiras de prospecção nasceram no final do século XVII.
Na década de 1690 foi descoberto ouro nas Serras de Minas, o então chamado Sertão de Cuieté, hoje o estado de Minas Gerais.
A interiorização do povoamento deu origem a esta capitania, separada da de São Paulo na década de 1720.
Por intervenção dos Bandeirantes, outras se seguiram.

Daniel Costa



quarta-feira, 10 de agosto de 2016

PARAÍBA E A SUA CIDADE LUZ




PARAÍBA E A SUA CIDADE LUZ

Teodósio de Mello acordou cerca das cinco horas da manhã, na sua morada, no Hotel Tambaú, no dia da Senhora das Neves, a 5 de Agosto.
Sendo a Senhora das Neves, padroeira da cidade de João Pessoa, a cidade que adoptara para residir, a que lhe continuava a fazer a vida feliz, especialmente desde que, conquistara e vivia com a sua amada Samira.
A esta olhou carinhosamente, como era cedo, ainda dormia num sono profundo.
Enquanto isto Teodósio de Mello, em pleno Inverno, disfrutava de uma vista de luz, com o sol nascente a brilhar sobre as águas daquele mar do Atlântico Sul, num espectáculo que a mãe natureza estava a oferecer.
Ao mesmo tempo imaginava: 
- Quantos navegadores, nos idos do XVI século, se terão deslumbrado, com tão paradisíaca visão?          
A cidade de João Pessoa, capital da Paraíba, tendo sido fundada, por portugueses em 1585, exactamente com o nome de Nossa Senhora das Neves.
Milhares de pessoas, vindas um pouco de toda a Paraíba, se incorporam, em procissão da Basílica de Nossa Senhora das Neves, percorrendo todo o centro. Durante o percurso, os fiéis realizaram cânticos religiosos e orações, assim como cantaram o Parabéns a Você e a música Meu Sublime Torrão, de Marinês, em homenagem à cidade de João Pessoa.
Foi esta grande fé religiosa, muito à portuguesa, com inclusão de elementos bem identificadores dos irmãos do Brasil, que Teodósio de Mello, em companhia da sua Samira, observou.   
Depois voltou para sua morada no Hotel Tambaú a estudar mais a história da Paraíba e da sua Capital João Pessoa:    
- Contra todos os invasores, nomeadamente os franceses, Martim Leitão, mandou construir os fortes de São Filipe e São Tiago. Em seguida, após intensa negociação, os portugueses se uniram aos índios tabajaras, expulsando os potiguaras o que permitiu assim que, em Agosto de 1585 se desse a conquista efectiva da Paraíba, com o entendimento de um português e dum chefe indígena chamado Pirajibe.      
Após a conquista, Martim Afonso começou a edificação da cidade de Nossa Senhora das Neves, actual João Pessoa    
Porém a padroeira da cidade ficou sendo, Nossa Senhora das Neves, já que a criação, com o seu com o seu nome, se deve a ter tido início no seu dia, a 5 de Agosto.
Para os naturais da Paraíba, a evocação, dessa santidade é incontornável, tanto mais sendo feriado provincial.
Daniel Costa



quinta-feira, 4 de agosto de 2016

SÃO LUIS - OCUPACÃO HOLANDESA


SÃO LUIS – OCUPAÇÃO HOLANDESA

Cerca de 1641, uma esquadra holandesa de 18 embarcações, com um milhar de militares, comandados pelo almirante Jan Cornelisz Lichthart e pelo coronel Koin Handerson.
O principal objectivo dos holandeses, seria ali a expansão da indústria açucareira.
Antes os holandeses já tinham invadido boa parte do nordeste brasileiro, tomando cidades como Salvador, Recife e Olinda.
Agora a frota dos holandeses, era comandada por Pieter Baas que investindo contra São Luis, amedrontando os seus moradores, o que fez a cidade ficar deserta.
Foi feito prisioneiro o governador da cidade, o fidalgo português Bento Maciel Parente, veterano do sertão, em seguida hasteada a bandeira holandesa.
A cidade foi saqueada, igrejas foram roubadas, assim como cerca de cindo mil arrobas de açúcar.
Tudo a fazer resultar numa paralisação da economia maranhense.
Dez meses após a investida, os lavradores portugueses revoltaram-se contra a invasão holandesa, em conspiração com os religiosos da Companhia de Jesus, auxiliados por mamelucos e indígenas fiéis.
Era líder da revolta António Muniz Barreiros que, faleceu durante o conflito, tendo sido substituído por outro senhor de engenho António Teixeira de Melo.
O Outeiro da Cruz, à época ficava fora das portas da cidade, local religioso, que foi palco de recontros de grande crueldade. Os holandeses dizimavam os habitantes que ainda ficavam no burgo.
Em Taquitapera, actual município de Alcântara, no continente, Teixeira de Melo recebeu emissários do príncipe Maurício de Nassau, este ofereceu-lhe o governo dos portugueses do Maranhão.
Se a proposta fosse aceite, o político teuto-neerlandês teria recolhido a São Luis. Porém a proposta foi recusada e a luta continuou até Fevereiro de 1644,
Nessa data, os neerlandeses retiraram-se, depois de um período de ocupação intranquila de 27 meses, em que 17 foram período de lutas.
Sobrou aos holandeses a ruína do casarão onde residiu o governador Pieter Baas. Casarão que viria a ser derrubado de todo apenas em 1939. A posição ancestral europeia, indígena e africana, segundo um estudo genético de 2005, a contribuição europeia chega 42%, a indígena 39% e a africana 19%.
A capital do Maranhão, hoje fica na recordação, pelo enorme casario de arquitectura portuguesa.
Fundada já em 1755, pelo Marquês de Pombal, a Companhia de Comércio de Grão-Pará e Maranhão, que se destinava a controlar e fomentar a actividade comercial daquele Estado, fortalecendo a prática do mercantilismo no reino.
Face à proibição da escravidão indígena no Estado do Grão-Pará e Maranhão, a Companhia foi originada por, em 1752 pela Câmara Municipal de São Luis do Maranhão ter pedido ao governador e capitão-general, Francisco Xavier de Mendonça Furtado.
Era ideada, então uma sociedade autorizada a explorar o comércio de importação de escravos africanos.
O governador aceitando com agrado a ideia e depois de conseguido o apoio dos cidadãos mais influentes de Belém do Pará, encaminhou-a ao seu meio-irmão, o Marquês de Pombal.
No Reino, no âmbito da restruturação administrativa então promovida, Pombal atraiu à ideia grandes comerciantes das praças de Lisboa e Porto.
Desse modo a 7 de Agosto de 1755, com o capital social de 1200.000 cruzados, fundava-se a Companhia.
O objectivo era vender escravos africanos em grande escala, naquelas capitanias e com isso desenvolver a agricultura e fomentar o comércio.
Com esse fim recebeu diversos e importantes privilégios.
O grande número de facilidades e prerrogativas concedidos à companhia por parte do Estado, foi criticado pela Companhia de Jesus, como por exemplo, o padre Manuel Ballestre, que do seu púlpito em Lisboa, afirmou: “quem entrar nesta Companhia não entrará na de Cristo, nosso Redentor”.
Essa afirmação custou-lhe o desterro sumário da Corte.
Apesar de todo o criticismo, a Companhia trouxe grandes benefícios a São Luis, o comércio com a metrópole floresceu.
Até então o movimento resumia-se a um navio por ano, entre 1760 e 1771, setenta e um navios dali partiam para o reino, transportando cargas de algodão, arroz, cacau, gengibre, madeira e outras.
Relativamente ao movimento de escravos, calcula-se que, até 1755 ingressaram no Estado de Do Grão-Pará e Maranhão apenas três mil africanos.
Entre 1755 e 1777 a aquisição dessa mão-de-obra, feita em Cacheu, Bissau e Angola, financiada pela Companhia, teve o número de doze mil.
Depois de aclamada Dona Maria I, no início da década de 1780, no contexto da chamada “Viradeira”, foi extinto o monopólio e a própria Companhia, em 25 de Fevereiro de 1788.

Daniel Costa




sábado, 30 de julho de 2016

CIDADE DE SÃO LUIS


CIDADE DE SÃO LUIS

Localizada na ilha de Upaon-Açu, o segundo nome foi ilha do Maranhão, posteriormente ilha de São luis.
São Luis, a capital do Maranhâo é a única cidade brasileira fundada por franceses. Aconteceu no dia 8 de Setembro de 1612. Situa-se entre as baías de São Marcos e São José de Ribamar.
A origem do nome da cidade foi em homenagem ao rei santo da França, Luis IX.
A fundação da cidade atribui-se a Daniel de La Touche, senhor de La Ravardière, que os portugueses homenagearam em 1689, construindo o palácio da casa da câmara, mais tarde sede da prefeitura municipal, atribuindo-lhe o seu nome.
No largo desse palácio, ainda hoje se mantém um busto de Daniel de La Touche.
Assim as naus vindas de França, continuaram a navegar no século XVI. Da tripulação três navios que se dirigiam ao Maranhão, a maioria permaneceu no terreno, após o fracasso da expedição.
O comandante dos três navios, que a compunham, foi o capitão Jaques Riffault.
Um dos tripulantes, Charles Des Vaux, estudou o idioma indígena e prometeu trazer mais franceses para defender e governar os índios indígenas.
De regresso a França, Des Vaux, obteve do rei Henrique IV, que Daniel de la Touche, senhor de La Ravardière, fosse junto como tripulante ao Maranhão para comprovar a acção.
Após o falecimento de Henrique IV, La Ravardier, retornou à Europa, ao seu País, onde lutou 15 anos pelo projecto de fundação, do que dominava França Equinocial.
François de Razilli, senhor de Aumelles e Razilly e Nicolas de Harlay, senhor de Sancy, barão de Molle e de Grosbois, estiveram interessados no empreendimento.
A rainha regente de França e Navarra, Maria de Médici, permitiu que participassem os religiosos da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos.
A esquadra francesa foi constituída por três navios, comandados por La Ravardière e Razilly. A esquadra deixou o porto de Concale, na actual região francesa da Bretanha, chegando em 26 de Julho de 1612 a uma enseada maranhense.
Deram-lhe o nome de Sant’Ana, em honra à santa do dia, à ilha mais pequena e onde chegaram e encostaram os navios.
Escolhido o lugar da fortificação, a 8 se Setembro, foi levantada a cruz na ilha de Sant’Ana e abençoou-se o terreno e a fortificação, que recebeu o nome de Forte de São Luis.
Não se restringiam, os franceses, apenas à tarefa de colonizar a região: em direcção a Paris, carregaram indígenas do Maranhão.
O bispo de Paris baptizou três índios  - itapucu, tendo como padrinhos Luis XIII e Maria de Médici.
As narrativas dos franciscanos davam o forte de São Luis, como difícil de ser conquistado.
É sabido que o forte era tido como inconquistável, mesmo que atacado por uma armada real.
No entanto, colonizadores de Espanha e de Portugal iam buscando a conquista do território.
Em 19 de Novembro de 1614, o português Jerónimo de Albuquerque, o administrador colonial lusitano, comandando as suas naus e os seus homens, contra a invasão francesa, ganhou na Batalha de Guaxenduba.
Tanto os franceses na ilha como portugueses no continente fizeram descanso.
Depois mandaram emissários a Madrid e a Paris, com a proposta de a ilha ficar na posse dos franceses e o continente dos portugueses.
Julho de 1615, Francisco Caldeira de Castelo Branco, exigiu a La Ravardière abandonasse a terra que conquistou. Jerónimo de Albuquerque mudou-se para a ilha, e ai construiu o Forte de São José de Itapari, passando à luta.
Em 17 de Outubro 9 navios com 900 homens, armas, dinheiro, plantas e gado, comandada por Alexandre de Moura, aproximou-se da baía de São Marcos.
A frota desafiava a fortaleza inconquistável dos franceses.  Inevitavelmente deu-se o confronto, Jerónimo de Albuquerque atacava por terra. La Ravardière não resistiu e a 3 de Novembro devolveu a colónia, o forte, os navios e as armas.
De Pernambuco o francês foi para Lisboa, onde esteve aprisionado, antes de voltar a França.

Daniel Costa






terça-feira, 19 de julho de 2016

MARANHÃO - INICIO DA COLONIZAÇÃO DO TERRITÓRIO


MARANHÃO – INICIO DA COLONIZAÇÃO DO TERRITÓRIO

Instalado no seu apartamento do Hotel Tropical Tambaú, junto à Av. Almirante Tamandré, na cidade de João Pessoa, construído nas próprias areias da praia de Tambaú, Teodósio de Mello pensava sobre a saga dos muitos marinheiros do século XVI e seguintes que por ali passaram.
Em verdade, ele estava a viver muito próximo da Ponta do Seixas, a parte mais ocidental das Américas onde o sol nasce mais cedo, bem mais cedo.
Era manhã cedo e estava à vista de espectacular sol nascente, no Atlântico Sul, que banha terras da Paraíba e consequentemente a sua capital João Pessoa, quando a sua bela Samira se lhe veio juntar.
Bem juntinhos, e como já por hábito, trocaram impressões a propósito do empreendimento do marido, escalpelizando mais sobre a chegada de portugueses a terras do que é hoje o imenso Brasil, provendo depois a sua aculturação.
De facto um feito gigantesco que nunca será de mais realçar, em vez de menosprezar a raça deste povo, como continua a ser, simplesmente feito vendo as coisas à luz do presente, erradamente, é de crer.
Tudo tem um tempo, é no século XVI a abertura ao mundo de algumas rotas desconhecida, por grandes homens portugueses de então.
É feito de assinável grandeza!
A conversa entre Teodósio de Mello e Samira, entretanto, abordou o Maranhão, talvez um dos Distritos do Brasil, mais difíceis de anexar, devido a interferências de franceses e depois de holandeses, com quem foram travadas grandes lutas, para os expulsar definitivamente.

Não há relatos exactos sobre as primeiras expedições na costa maranhense. Contudo, há a crença que, em 1500, o espanhol Vicente Yáñez Pinzón, já navegou por toda a costa norte do Brasil.
Essa viagem de Pizón, teve origem em Pernambuco com destino à foz do rio Amazonas. No meio da vigem o navegador espanhol, já atravessou o litoral do Maranhão.
Em 1519 o cartógrafo português Lopo Homem traçou o mapa Terra Brasilis. Nesse aparecem escritos nomes de acidentes geográficos da costa maranhense.
A partir de 1524, os franceses começaram a frequentar o litoral do Maranhão. Frequência explicada, por o litoral do Maranhão ter sido esquecido pelos portugueses.
No ano de 1531, Martim Afonso de Sousa, tendo sido o comandante da primeira expedição que começou a colonizar a região, o militar e nobre português exigiu que Diogo Leite fosse responsável pela exploração do litoral norte.
Diogo Leite da foz do rio Gurupi. Que na actualidade divide os Estados do Maranhão e do Pará.
A divisa entre os actuais estados do Brasil ficou, por muito tempo conhecida como “abra de Diogo Leite”.
Em 1534, quando não tinham colonizado o Maranhão, D. João III, dividiu a Colónia em Capitanias Hereditárias.
Um ano depois o monarca de Portugal concedeu a terra a três fidalgos da sua confiança, João de Barros, Fernando Álvares de Andrade e Aires da Cunha. Os primeiros idealizaram o seu plano para a tomada de posse da Capitania.
Estes dois donatários encarregam a execução a Aires da Cunha que partiu para o Brasil no mesmo ano da doação. Durante a viagem, com dez veleiros, 900 homens de armas e 130 a cavalo, nas costas maranhenses a frota, devido a temporal violento, afundou tendo falecido o capitão, como a maior parte dos integrantes.
Entretanto, os sobreviventes fundaram um núcleo de povoamento, a que denominaram Nazaré, passando a explorar o terreno através dos acidentes geográficos fluviais. Acresce, que os indígenas em nada favoreceram essa ocupação.
Do núcleo não restou nada, quando a povoação foi destruída, os portugueses abandonaram-na.
Em 1539, outro fidalgo lusitano, de seu nome Luís de Melo da Silva, que também teve o seu navio afundado no litoral maranhense, retornando a Portugal em 1554.
João de Barros, em 1555, mandou os seus descendentes João e Jerónimo, para a sua donataria.
Naquela época os franceses já tinham entrado ali. De acordo com a narrativa que Jerónimo dirigiu ao seu monarca, estiveram na capitania 17 naus de franceses, estes já tinham edificado, com materiais de construção da época - Casas de pedra - E, claro, fazendo comércio com os indígenas.

Daniel Costa



segunda-feira, 27 de junho de 2016

CRIAÇÃO DA CIDADE DE SÃO PAULO



CRIAÇÃO DA CIDADE DE SÃO PAULO
 
Como aqui já foi anotado, em 1532, Martim Afonso de Sousa, fundou no litoral paulista a primeira vila brasileira.
Ficando donatário desta, incentivou a ocupação da região e outras vilas foram nascendo nesse litoral.
Poucos anos depois, vencida a barreira, que a serra e o mar representavam, os colonizadores vão avançando pelo planalto Paulista.
Interessado no estabelecimento de um local onde pudesse catequisar os índios, afastados da influência dos homens brancos, o padre Manuel da Nóbrega, superior da Companhia de Jesus no Brasil, observou que uma região próxima, localizada sobre um planalto seria o ideal, o então chamado Piratininga.
Em 29 de Agosto de 1553 aquele missionário, ordenou 50 catecúmenos, entre os nativos, aumentando assim o estímulo para fundar um colégio jesuíta no Brasil.
Não obstante, a procura da catequese sem a influência de colonos fosse um objectivo, o que precipitou a mudança para o planalto, foi a necessidade de resolver o problema da alimentação dos naturais que estavam a ser doutrinados, como veio a afirmar o padre José de Anchieta.
Ainda em 1553 João Ramalho, explorador português, já a morar no planalto, casado com a índia Bartira esta, por sua vez, filha do cacique Tibiriça, chefe da tribo dos Guaianases, estava apto a intermediar os interesses portugueses junto dos indígenas.
É a 25, de Janeiro de 1554, dia em se comemora a conversão do apóstolo Paulo, que os jesuítas erguem um barracão de taipa de pilão, numa colina alta. O padre Manuel Paiva celebra a primeira missa nessa colina.
A celebração marcou o início da instalação dos jesuítas no local e entrou para a história como o da criação da cidade de São Paulo.
Dois anos volvidos, os padres ergueram uma igreja, a primeira edificação duradora do povoado.
Em seguida criaram o edifício do colégio, assim como o pavilhão com os aposentos.
Em redor do colégio, foi-se formando uma pequena povoação de índios convertidos, jesuítas e colonizadores.
Em 1560, a população do povoado seria expressivamente ampliada, quando, por ordem de Mem de Sá, governador-geral da colónia, os habitantes da vila de Santo André da Borda do Campo, foram transferidos para os arredores do colégio.
A vila foi extinta, sendo e o novo núcleo populacional elevado à categoria, com o nome de “Vila de São Paulo de Piratininga.
No mesmo ano, por acto régio foi criada a sua Câmara Municipal, então designada “Casa do Conselho”.
Foi provavelmente, nesse mesmo ano de 1560 que foi criada a “Confraria da Misericórdia de São Paulo”, a actual Santa Casa da Misericórdia.
Ainda em 1562, incomodados com a aliança entre gaianases e portugueses, os índios tupinambás, unidos na Confederação dos Tamoios, lançam uma série de ataques contra a vila, a 9 de Junho, dando lugar ao Cerco de Piratininga.
A defesa, organizada por Tibibiçá e João Ramalho, obsta a que que os tupinambás entrem em São Paulo, tendo sido obrigados a recuar logo no dia seguinte.
Na eminência de novos ataques, ainda em 1590, com as necessárias obras de defesa, em meio desse ambiente de incertezas a prosperidade era impossível.
Na viragem do século XVII, a situação acalma e então, vai-se consolidando o povoamento.
 
 Daniel Costa
 
 
 

quinta-feira, 23 de junho de 2016

CRIAÇÃO DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO




CRIAÇÃO CIDADE DO RIO DE JANEIRO
 
O litoral do actual, estado do Rio de Janeiro, na Baía de Guanabara foi descoberto pelo explorador português Gaspar de Lemos a 1 de Janeiro de 1502.
Em 1 de Novembro de 1555, os franceses capitaneados por Nicolas Durand de Villegagnon, vieram a apossar-se da maravilhosa Baía e estabeleceram uma colónia na ilha de Sergipe, actual ilha de Villegagnon.
Ali ergueram o Forte Coligny.
Entretanto, consolidavam alianças com os povos tamoios, também conhecidos por tupinambás, que ocupavam o redor da Baia de Guanabara.
Foi com o auxílio dos temiminós, rivais daqueles, que os portugueses atacaram e destruíram a colónia francesa em 1560.
Persistindo os franceses na região, os portugueses, comandados por Estácio de Sá, acompanhados por um grupo de fundadores como, D. António Mariz, desembarcaram num istmo entre o Morro Cara de Cão e o Morro Pão de Açúcar e fundaram a Cidade de “São Sebastião do Rio de Janeiro”, a 1 de Março de 1565.
Logo que foram tomando conta do território, numa pequena praia protegida pelo Morro Pão de Açúcar, edificaram uma fortificação, o embrião da Fortaleza de São João.
Devido às dificuldades da colonização, só apenas em 1565 com reforços da Capitania de São Vicente conseguiu reunir uma força de ataque, com o auxílio dos jesuítas, para cumprir a sua missão.
A definitiva expulsão dos franceses acabou por se dar só em 1567, com a subjugação dos remanescentes elementos franceses, os quais aliados aos tamoios, se dedicavam ao comércio, ameaçando o domínio português na costa do Brasil.
Foi assim que Estácio de Sá, fundou a cidade do Rio de Janeiro, tornando-se o seu primeiro Governador-Geral.
Durante a maior parte do século XVII a cidade foi tendo desenvolvimento lento. Na segunda metade do mesmo século, o Rio de Janeiro, tornou-se a cidade mais populosa do Brasil, o que lhe deu importância a estratégica fundamental para o domínio do território colonial.
No século XVI a pecuária e a lavoura da cana do açúcar iam impulsionando o progresso, definitivamente, assegurando-o, quando o porto começou a exportar ouro extraído em Minas Gerais, no século XVII, entre 1583 e 1623.
A maior área destacada da produção da cana-de-açúcar do sul, do Brasil, deslocara-se de São Vicente, para o Rio de Janeiro, na Baía de Guanabara.
Em 1640 havia ali 60 engenhos de produção, em 1639, 110 e no final do século 120.
Então  o Rio de Janeiro passou a fornecer o açúcar a Lisboa, devido à tomada de Pernambuco pelos holandeses.
A importância que se acentuou, no século XVIII com as jazidas de ouro de Minas Gerais. A proximidade tornou a consolidação daquela cidade como grande centro portuário e económico.
Foi assim que em 1763, o Marquês de Pombal, Primeiro - Ministro do rei D. José I, transferiu a capital do Brasil colonial, de Salvador para o Rio de Janeiro.
Face a estes pressupostos, Teodósio de Mello, perorando, em pensamento, sobre todas estas ocorrências, não deixava de ter em conta a moderna sociologia, sobretudo, a de Augusto Comte.
Em verdade, a história das colonizações têm a componente sociológica, que bem pode ser aplicada ao seu estudo actual, sempre em aberto em certas variáveis.
No sistema hereditário, o actual estado do Rio de Janeiro, era então compreendido entre as Capitanias de São Tomé e São Vicente.
 
Daniel Costa